Tajani provoca descendentes e deputado italiano rebate
Questionado sobre a possibilidade de rever as restrições da reforma da cidadania italiana, o vice-premiê e chanceler Antonio Tajani foi direto: "Se alguém se sentia italiano, poderia ter feito antes."
A resposta veio um dia depois de ele chamar quem tem dupla cidadania de "embaixador" da Itália, e reforça a posição do governo italiano em defesa das novas restrições.

O que Tajani falou sobre a cidadania italiana?
• A pergunta foi feita pelo jornalista Diego Mezzogiorno, mesmo com orientação prévia para que o tema não fosse tocado durante a visita
• Tajani descartou qualquer nova lei com critérios diferentes para quem tem vínculo com a Itália
• Segundo ele:
"A lei busca defender a seriedade de ser cidadão italiano"
• O chanceler também afirmou que o passaporte italiano não deve servir só para ir passar férias em Miami.
Porque Tajani contradiz a orientação do próprio sistema italiano?
O incômodo com a declaração não é só político. Ele é histórico. Por décadas, a orientação oficial dos consulados foi clara: quem tinha direito podia entrar na fila da via consular com calma, sem pressa, porque a cidadania italiana por descendência (iure sanguinis) era tratada como um direito permanente, reconhecido e não criado pelo Estado.
Não havia prazo de validade, e a própria estrutura consular trabalhava com filas de vários anos.
Agora o discurso muda de lugar. Quem esperou, seguindo exatamente o que o sistema dizia, passa a ouvir que "poderia ter feito antes". A contradição está aí: entre o que sempre foi orientado e o que está sendo cobrado depois que as regras mudaram.
Fabio Porta rebate Tajani: "a questão não terminou"
Eleito pela circunscrição da América do Sul, o deputado Fabio Porta respondeu diretamente ao ministro, que havia dito que "a questão está encerrada" sobre a reforma. Para Porta, o debate está longe do fim.
Porta lembra que a Corte de Justiça da União Europeia ainda vai se manifestar sobre o tema. Como a cidadania italiana é também cidadania europeia, o entendimento da Corte pode ter efeito direto sobre os limites que a Itália pode impor ao reconhecimento por descendência.
Além disso, segundo o deputado, o Parlamento italiano pode voltar a discutir a lei depois das eleições de 2027. Por isso, ele defende que os italianos no exterior participem mais das votações, tanto dos Comitês quanto das parlamentares, para fazer valer sua posição.
A resposta ao "poderia ter feito antes"
Porta também rebateu diretamente esse argumento citando o contexto histórico da imigração italiana. Muitas famílias foram empurradas para longe da própria identidade, com restrições ao uso do idioma e fechamento de escolas italianas durante a Segunda Guerra Mundial. Cobrar iniciativa individual de quem viveu esse apagamento, na leitura do deputado, ignora a história.
O que isso significa para quem busca a cidadania italiana por descendência
Na prática, hoje valem as regras do Decreto 36/2025. Nada muda por causa de uma declaração, de um lado ou do outro. O que a troca de farpas mostra é que a reforma segue sendo disputada em duas frentes ao mesmo tempo: nos tribunais, com a discussão de constitucionalidade e a decisão europeia por vir, e na política, com a eleição de 2027 no horizonte.
Para quem tem ascendência italiana, a leitura mais útil é simples: acompanhar o andamento dessas duas frentes e entender em qual cenário a sua própria linha de descendência se encaixa, porque cada caso responde de um jeito às mudanças.
A Simonato acompanha esse processo do início ao fim, em todas as suas etapas, para manter você informado sobre tudo que pode afetar o seu caso de cidadania italiana.


