Artigo

Salário mínimo na Europa em 2026: veja quanto se ganha nos principais destinos de brasileiros

Salário mínimo na Europa em 2026: veja quanto se ganha nos principais destinos de brasileiros

Com a recuperação econômica após o período de forte inflação entre 2022 e 2024, vários países europeus revisaram seus salários mínimos em 2026.

Para quem pensa em trabalhar, morar ou planejar uma mudança para o continente, o piso salarial continua sendo um dos primeiros indicadores analisados, embora esteja longe de contar toda a história.

Cada país define seu salário mínimo de forma diferente: alguns adotam valores mensais fixos, outros utilizam remuneração por hora trabalhada, e há casos, como o da Itália, em que o piso não é definido por lei nacional.


Neste artigo, reunimos os valores atualizados de alguns dos principais destinos escolhidos por brasileiros.


Como funcionam os salários mínimos na Europa

Antes de olhar os números, é importante entender que não existe um modelo único europeu.

Os países adotam três sistemas principais:

  • Salário mínimo mensal nacional (Portugal, Espanha, França);
  • Salário mínimo por hora trabalhada (Alemanha, Irlanda, Reino Unido);
  • Pisos definidos por acordos coletivos de categoria (Itália).

Além disso, muitos países pagam 13º e 14º salários ou distribuem esses valores ao longo do ano, o que muda a percepção real da renda mensal.


Itália: não existe salário mínimo nacional


Diferentemente da maioria das economias europeias, a Itália não possui um salário mínimo definido por lei.

Os valores são estabelecidos por meio dos Contratti Collettivi Nazionali di Lavoro (CCNL), acordos coletivos que regulam salários por setor profissional.

Na prática, muitos pisos iniciais negociados nesses contratos costumam variar entre:

➡️ 1.100€ e 1.400€ brutos por mês, dependendo da área.

Isso significa que o salário depende diretamente da categoria, da qualificação e da negociação sindical, e não de um valor único nacional.


Portugal: aumento gradual, mas ainda entre os mais baixos da zona do euro

Portugal iniciou 2026 com salário mínimo de:

➡️ 920€ brutos mensais, pagos em 14 parcelas anuais.

Apesar dos reajustes recentes, o país ainda mantém um dos pisos mais baixos da Europa Ocidental, especialmente quando comparado ao custo de vida crescente nas principais cidades.


Espanha: piso elevado no sul da Europa

Na Espanha, o Salario Mínimo Interprofesional (SMI) está fixado em:

➡️ 1.184€ brutos mensais (14 pagamentos por ano).

Quando distribuído em 12 meses, o valor mensal pode ultrapassar 1.380€, reforçando a percepção de um piso mais elevado na região.


França: um dos salários mínimos mais altos do continente

O SMIC francês permanece entre os mais elevados da Europa Ocidental:

➡️ Cerca de 1.801€ brutos por mês para uma jornada padrão.

O sistema francês possui reajuste automático atrelado à inflação, o que ajuda a preservar o poder de compra ao longo do tempo.


Alemanha: modelo baseado em valor por hora

A Alemanha adota o Mindestlohn, salário mínimo definido por hora:

➡️ 13,90€ por hora em 2026.

Em jornadas completas de trabalho, isso pode resultar em rendimentos mensais superiores a 2.400€ brutos, dependendo do contrato.


Irlanda: entre os maiores salários mínimos da União Europeia

A Irlanda segue como um dos países com maior piso salarial:

➡️ 14,15€ por hora para trabalhadores adultos.

Em tempo integral, o valor mensal pode ultrapassar 2.450€ brutos.


Reino Unido: salário varia conforme idade

O Reino Unido utiliza a National Living Wage, que muda de acordo com a faixa etária.

Em 2026, a principal referência é:

➡️ Aproximadamente £12,71 por hora para trabalhadores com mais de 21 anos.

Como o sistema é por hora, o salário final depende diretamente da carga de trabalho contratada.


Salário mínimo alto não significa vida mais fácil

Um erro comum de quem analisa a Europa de fora é imaginar que salários mais altos garantem automaticamente melhor qualidade de vida.

Países com maiores pisos salariais também apresentam:

  • custos elevados de moradia;
  • impostos mais altos;
  • despesas maiores com transporte e alimentação.

Já países com salários menores podem oferecer custo de vida mais equilibrado dependendo da cidade.


O que realmente importa ao comparar salários na Europa

Para quem planeja trabalhar ou imigrar, o salário mínimo deve ser analisado junto com três fatores essenciais:

✔ custo de vida local
✔ possibilidade real de inserção no mercado de trabalho
✔ nível salarial da profissão específica

Na prática, a escolha do país não depende apenas de “quem paga mais”, mas de qual economia oferece o melhor equilíbrio entre renda, despesas e oportunidades.


Conclusão


O cenário de 2026 mostra uma Europa em ajuste após anos de inflação, com aumentos salariais distribuídos de maneira desigual entre os países.


Enquanto Alemanha, França e Irlanda mantêm pisos elevados, Portugal e parte do sul europeu seguem com valores mais moderados. Já a Itália continua com um modelo
próprio, baseado em negociação coletiva e não em salário mínimo nacional.

Para brasileiros interessados em viver no continente, entender essas diferenças é o primeiro passo para um planejamento realista, e muito mais importante do que simplesmente converter euros em reais.