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CGIE critica proposta de novas restrições à cidadania italiana

CGIE critica proposta de novas restrições à cidadania italiana

Conselho considera projeto inconstitucional e alerta para impactos em descendentes e cônjuges

O Conselho Geral dos Italianos no Exterior (CGIE) publicou um parecer contundente contra o Projeto de Lei 1450/2025, apresentado no Senado da Itália. O texto, assinado pelo ministro Antonio Tajani, busca endurecer as regras da cidadania italiana iure sanguinis e eliminar a possibilidade de obtenção por casamento para quem vive fora do território italiano.

Segundo o órgão, as mudanças ferem princípios constitucionais e podem excluir milhares de descendentes e familiares de italianos no mundo.

O que muda com o PL 1450/2025

Entre as medidas propostas, destacam-se:

  • Fim da cidadania por casamento no exterior: só poderá ser solicitada após dois anos de residência legal na Itália.
  • Prazos rígidos: até 48 meses para processos administrativos e 12 meses para execuções de sentenças judiciais.
  • Perda de cidadania: válida para quem não mantiver vínculo efetivo com a Itália por 25 anos. Para nascidos após a vigência da lei, a certidão deve ser transcrita até os 25 anos, sob pena de perda automática.
  • Proibição de testemunhas: não será possível utilizar juramento ou testemunho como prova nos processos.
  • Aumento da taxa consular: de €600 para €700.

Posição do CGIE

O parecer, publicado em 4 de agosto, aponta três problemas principais:

  1. Inconstitucionalidade – a proposta cria distinções entre descendentes com base em datas e critérios retroativos.
  2. Violação de direitos imprescritíveis – a transmissão da cidadania por sangue é reconhecida pela jurisprudência italiana como direito sem prazo de prescrição.
  3. Risco de exclusão em massa – milhares de descendentes poderiam ser barrados injustamente.

Em nota, o conselho declarou:

“O projeto não protege a identidade nacional, mas a penaliza, especialmente para aqueles que a vivem em dimensão transnacional.”

Debate no Parlamento

O PL 1450 foi protocolado em 8 de abril de 2025 e segue em análise pela Comissão de Assuntos Constitucionais do Senado. A expectativa é que o tema volte à pauta em setembro, com possíveis ajustes após as críticas recebidas.

Apesar de rejeitar a proposta, o CGIE se declarou aberto a uma reforma equilibrada da lei de cidadania, construída por meio de diálogo com as comunidades no exterior.

O que está em jogo

O avanço desse projeto pode:

  • Reduzir drasticamente o acesso dos descendentes à cidadania italiana.
  • Extinguir a cidadania por casamento fora da Itália.
  • Gerar insegurança jurídica ao aplicar retroatividade em um direito considerado imprescritível.

Para comunidades ítalo-descendentes, o parecer do CGIE funciona como um alerta de que o debate está longe de terminar.